Ao longo dos últimos meses, dois processos fortaleceram-se com a iminente necessidade de reinvenção ocasionada pela pandemia: o avanço do e-commerce, no Brasil e no mundo, e o amadurecimento de perfil do consumidor brasileiro. Influenciadas pelas medidas de distanciamento social, as taxas de crescimento do comércio eletrônico, que eram bastante elevadas, atingiram patamares superiores aos 20% em 2020, enquanto as projeções para 2021 projetam cifras próximas aos 5 trilhões de dólares.  

De acordo com o Prof. Geraldo Prado Guimarães Filho, docente de Marketing no curso de Administração da Mauá, é importante compreender que esse é um movimento que vem ocorrendo há alguns anos,  estimulado pela pandemia. “A ampliação da qualidade e da facilidade de acesso à internet banda larga foi um dos principais motores, uma vez que também é responsável por uma importante mudança de hábito do brasileiro que hoje passa mais tempo navegando do que assistindo à televisão”, observa. Segundo dados da We are Social Hootsuite, de janeiro de 2021, o Brasil apresenta 160 milhões de usuários de internet e 150 milhões de usuários ativos em mídias sociais, que navegam mais de 10 horas/dia. “Essa mudança é consequência direta da adoção massiva do smartphone como canal de interação, uma vez que mais de 98% das pessoas, entre 16 e 64 anos de idade, têm acesso a esses dispositivos”, completa o professor.

Além desses pontos, também foi possível perceber o desenvolvimento das ferramentas de comércio eletrônico, que se tornaram mais seguras, e um expressivo aumento da variedade de lojas disponíveis on-line, seja por meio dos grandes marketplaces, seja pelo pequeno varejo, que durante a pandemia precisou se adaptar aos novos tempos como forma de sobrevivência. Paralelamente, a qualidade e as experiências de relacionamento também foram incrementadas, principalmente devido à Inteligência Artificial e Big Data, que possibilitaram a individualização do tratamento e ofertas personalizadas de acordo com o perfil de cada consumidor. “No entanto, isso parece ter sido apenas o início da revolução.  Com a chegada da tecnologia 5G,  provavelmente em 2022, o fortalecimento dos grandes marketplaces e o amadurecimento de tecnologias como I.O.T., impressão 3D, entre outras, aí teremos a real dimensão de aonde o comércio eletrônico pode chegar”, analisa Geraldo.

A situação de crise provocou mudanças no perfil do consumidor brasileiro, que ampliou a conexão e o envolvimento com o processo de compra, com foco em experiências cada vez mais gratificantes e satisfatórias. Os consumidores desenvolveram a consciência de que são parte forte na mesa de negociação e esse é um caminho que não deve ter volta.

No último ano, muitos hábitos se alteraram. As pessoas voltaram a comer e a produzir suas refeições em casa, as entregas em domicílio foram potencializadas, os cuidados com a saúde foram ampliados, novos itens foram introduzidos na cesta de consumo, como máscaras e álcool em gel, além do crescimento da relevância dos influenciadores nas decisões de compra. São processos que tendem a levar à redução do consumismo indiscriminado que, aliada à maior busca de preços e promoções e facilitada pelos meios digitais de pesquisa, poderá determinar importantes mudanças na oferta de bens e serviços.