Inocentes - 27/01/2012
Written by Valdir Antonelli Saturday, 28 January 2012 18:36
Clemente, vocalista e líder do Inocentes, tem um grande peso nas costas: ser um nome importante da história do punk brasileiro. E não só por ser o “dono” do Inocentes, mas por ter feito parte de duas das primeiras bandas do estilo no País, a Condutores de Cadáveres e a Restos de Nada. Só isso já faz dele verbete obrigatório em qualquer dicionário musical por aqui.
Além disso, teve o mérito de ser a primeira banda punk do Brasil a assinar com uma grande gravadora, a Warner, por onde lançou o EP Pânico em SP, em 1986, e os álbum Adeus Carne e Inocentes, em 1987 e 1989, respectivamente.
Mais? Ele ainda mantém na ativa uma das mais antigas bangas punks do Brasil, apesar de ter lançado seu último disco com canções inéditas no, já, longínquo 2004 (o álbum Labirinto), e também toca na Plebe Rude.
Só por essa rápida história, extremamente resumida, da carreira de Clemente e do Inocentes, em qualquer outro país, ele estaria fazendo shows em casas bem maiores que a simpática Comedoria
do SESC Belenzinho, local que, pelo alvará da prefeitura de São Paulo, pode receber apenas 500 pessoas por show, número que, infelizmente, não foi alcançado nesta sexta-feira, dia 27 de janeiro.
Com pique de moleque, Clemente sabe, como poucos, resgatar seu antigo lado punk, com Garotos do Subúrbio, e trabalhar com arranjos menos sujos, em O Homem que Bebia Demais, e até fazendo coisas inimagináveis na década de 1980, como tocar Ace of Spades, hino metaleiro do Motorhead.
Sim, as coisas mudam, o gosto musical também e a necessidade de gritar para ser ouvido diminui – velhos punks curtiam o show saboreando a sopa servida na comedoria, como se estivessem em uma reunião de família. Mas não pensem que isso tira o peso ou
faz com que um show do Inocentes não seja 100% punk rock, pois basta ouvir os primeiros acordes de Expresso do Oriente, Pátria Amada ou Desequilíbrio para lembrarmos exatamente quem estava no palco.
Não deve ser fácil subir ao palco e escolher um set list que contemple toda a carreira (são 12 discos de estúdio) e que ainda faça com que os fãs saiam felizes. Pois é. Sempre vai ter gente falando que faltou essa ou aquela música e, no meu caso, faltaram apenas duas Ele Disse Não e Tambores – se bem que esta última, apesar de ser uma das melhores já feitas pela banda, não teria muito a ver com o lado punk que todos queriam ver e ouvir. Tempo para mais músicas tinha, já que o show foi curto, apenas 1h20 e, claro, fechando com uma homenagem ao Redson, do Cólera, falecido no ano passado, e com Pânico em SP.
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Fotos por Valdir Antonelli/DropMusic e Iris Kouwen/DropMusic

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