Epica - 10/04/2010

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Épico. Sublime. Arrebatador. Faltam adjetivos para enumerar o que foi o show do Epica no Via Funchal, neste fim de semana. Em um intervalo de cinco anos, esta é a terceira vez que ela vem ao Brasil. Eu estive na primeira, naquele show conjunto com o Kamelot. A impressão que tive era de que o Épica era uma boa banda, com potencial para vôos maiores e mainstream. Três anos depois, fizeram um show considerado pequeno, no Citibank Hall. Talvez por isso, confesso, pensei que veria um show para gatos pingados, dispostos a provar que são melhores que muita casa cheia. Ainda bem, me surpreendi. Apenas na primeira parte.
 
 
A abertura ficou por conta do Tierramystica, lá de Porto Alegre. O grupo é relativamente novo, tem apenas dois anos de carreira, mas muita experiência. Participou de vários eventos relacionados ao heavy/hard rock. A proposta é quase igual a de muitas bandas de Power metal. A diferença é na mistura. AO invés de apostar em elementos sinfônicos e ser uma cópia de Rhapsody, Avantasia e tantos outros, apostam em detalhes andinos e latinos. Ponto positivo pra banda. Pena que apenas conferimos a última música do grupo, um cover da metal ópera de Tobias Sammet. A competência na execução mostra que a banda é focada, talentosa e sabe cativar o público.
 
Antes de irmos para a apresentação do Épica, pudemos dar uma conferida nas imagens do DVD do Scorpions, gravado ao vivo na Amazônia no ano passado. Como vão se despedir dos palcos neste ano, as imagens ganharam ainda mais peso.
 
Com uma introdução muito bonita, o Épica subiu ao palco com o jogo ganho. Todos os cinco ou seis mil pagantes já vibravam com a banda antes de qualquer nota ou groove. “Resign to Surrender” fez gente pular, bater cabeça, chorar... E a música vale tudo isso mesmo, é um senhor petardo, onde a voz de Simone Simmons está melhor do que nunca. Aliás, não pensei que ela pudesse estar ainda mais bonita. Ô lá em casa viu...
 
“Sensorium” veio logo depois. Apresentada aos fãs no sensacional “The Phanton Agony”, foi cantada a plenos pulmões pelos fãs, teve gritos de hey, hey, hey. Enfim, coisas que não se via muito em shows que conferimos ao longo dos anos pela Drop. Ponto mais do que positivo. Com a galera em mãos, era hora de mostrar algo mais recente. “Unleashed”, do disco “Design Your Universe”. A música, com vocais mais limpos de Simone, é uma agradável surpresa. A banda mostrou-se coesa. Coen Janssen o louco tecladista é um ser a parte. Brinca, pula, se diverte, bate cabeça. Enfim, tem presença de palco. Aliás, o grupo todo tem presença.
 
“Martyr of the Free World” é também do disco novo. E já foi cantada pelo público. Com mais pegada que a anterior, ela terminou de jogar gasolina e fogo nos fãs. Depois dela, não sobraria pedra sobre pedra. Por falar nisso, acho que Isaac Delahaye deve ter quisto atirar algumas no amplificador dele. No início da música, algo não soou bem. E o que falar de Mark Jansenn. Baixista, gutural, e excelente presença. Quem viu, sabe o que estou falando. Receptivo, simpático e animalesco. “Fools of Damnation” pode ser considerada um semi-clássico. Faz parte de “The Divine Conspiracy”, disco que trouxe a banda de volta, em 2008. A parte pesada ela é muito boa e não deve em nada a muitos grupos como Nightwish.
 
Quem não conhece a Marcha Imperial, de Star Wars? Vimos bateristas solarem em cima do tema, vimos orquestra tocar a canção, mas uma banda de metal? E ainda por cima com todos batendo cabeça? Difícil? Pois é, com o Épica tudo parece fácil. Até demais. “Seif Al Din” e “Cry for the Moon” apareceram logo depois. A primeira tem partes que eu particularmente não gosto, mas ao vivo, me soou diferente, mais viva (pleonasmo). Já a segunda, é o maior hit da banda. Cantada por todo Via Funchal, deixou a banda sem palavras e com a certeza de que são muito queridos por aqui. Arrisco-me a dizer que já estão preenchendo o buraco deixado pelo Nightwish antigo – com a Tarja. Apesar de aprovar – e muito, a nova formação da banda finlandesa.
 
“Tides of Time”. Que bela música. Linda canção. Tem uma introdução com teclados e a voz de Simone...parece que vimos um anjo sussurrando as mudanças que o mundo vai enfrentar. “The Obsessive Devotion” e “Kingdom of Heaven” encerraram a primeira parte do show da mesma maneira como ele começou. Em alta. A saída para o bis revelou gritos de “olé, olé, olé, Épica, Épica”. E trouxe Coen Janssen pro palco para brincar com o público e chamar os comparsas de volta para terminar o que haviam começado.
 
“Sancta Terra”, “Quietus” e “Consign to Oblivion” foi uma trinca especial para encerrar um show esperado por muita gente. Teve quem ficasse dois dias acampado na fila, fato que deixou Simone e a banda muito emocionados. Era grande a quantidade de adolescentes, pais, mulheres e até crianças. Numa prova de que Rock Band talvez seja a solução para a música atual. A pergunta que fica é até quando?

Mais fotos aqui.
 
Fotos por Christian Nastari

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