Peru
Written by Tiago Martinelli Saturday, 01 November 2008 19:17
Não é preciso dizer que em todo o mundo se faz rock como nos EUA ou na Inglaterra. O que não é necessariamente algo ruim, já que em cada lugar esse estilo passa há ter outra cara, outra língua, e se adaptar. Esse é o ponto forte, já que daí saem coisas novas. Isso explica a procura da música latina, muito mais por nós brasileiros, que temos carência de alguns estilos. O simples fato dos músicos encararem o desafio de compor e cantar em sua língua nativa já é um diferencial quando vemos diversos artistas se renderem ao inglês.

A banda peruana Ádammo, por exemplo, apresenta músicas que parecem impossíveis de serem cantadas em outra língua apesar do estilo e dos timbres norte-americanos. O bom humor da banda, presente no visual e na atitude, parece não comprometer a seriedade do trabalho. Como a próprio grupo descreve o estilo é Powerpop, e não existe modo melhor de entender o que isso significa do que escutar suas músicas. Apesar de ser uma banda nova, e que ainda está gravando o primeiro trabalho, parecem bem maduros para fazer música pop.
Por outro lado a Banda Libido, que existe há 10 anos e está em vias de lançar o sétimo trabalho, opta por um som mais voltado ao indie rock. A princípio esse estilo lembra os norte-americanos dos Strokes, mas está mais para o rock britânico, e o curioso dessa são as batidas de guitarra parecidas com ska, uma espécie de reggae com o beat acelerado. É só conferir a faixa “Nicotina” para notar isso. Algumas faixas apresentam uma levada mais lenta, enquanto outras parecem remeter ao country. Ou seja, misturando muitas coisas os músicos chegam a um ponto essencial, fazer com que as faixas não sejam iguais, embora a característica vintage dos instrumentos, que não nega a influência do rock dos anos 60 e 70, seja muito semelhante em todo trabalho, o que proporciona uma característica marcante.

Saindo um pouco da influência de fora, o que esperamos da música latina é algo mais percussivo, e talvez alguma coisa de instrumentos nativos. Nesse ponto parece ser difícil achar uma banda peruana que se enquadre. Aqui no Brasil tivemos bons exemplos disso. O Raimundos misturava rock com música regional e o Paralamas do Sucesso fez muitas experiências, com destaque para o cd ao vivo “Vamô batê lata”, onde o trio aproveitou vários estilos populares e até mesmo algumas coisas latinas. No Peru alguns grupos como a TK ou La Sarita, aparentemente mais undergrounds, usam elementos percussivos, contudo a primeira não convence, e não explora as congas e chocalhos de modo a lembrar a música latina. Já a La Sarita consegue fazer uma mistura de percussão e melodias latinas com um rock carregado, peca apenas na qualidade da gravação, mas vale à pena conferir.
Outra Banda que chama a atenção é o Turbopotamos A banda começou em uma universidade em 2004 e tem em sua bagagem dois compactos. O interessante é estilo que se autodenominam: Skabilly, que seria uma mistura de ska com rock a billy. E de fato é o que encontramos no som deles. Quem quiser conferir ao vivo basta acompanhar a agenda deles que inclui algumas apresentações no Brasil.

O Peru tem muitas coisas boas a oferecer aos rockeiros do mundo, contudo não apresenta muitos elementos que façam a diferença. As misturas de estilos encontradas são sim muito interessantes, mas poucas remetem ao País. Contudo vale a pena pesquisar e conhecer não só as bandas aqui citadas, pois o que vemos por lá são músicos e compositores muito capazes e que merecem a atenção não só latina, mas mundial.
Por Tiago Martinelli

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