As músicas mais ouvidas
Written by Valdir Antonelli Tuesday, 15 February 2005 20:28
Você até pode achar que a quantidade de roqueiros na lista está muito boa, eu não acho. Citando Skank e Ira!. O Skank só aparece na lista, porque regravou uma canção de Gilberto Gil, que foi massivamente exibida em um comercial pela televisão. Já o Ira!, porque é acústico e isso levanta até defunto. Pra vocês terem uma idéia do tipo de rock que entra, veja que Lenny Kravitz, que aparece em 12º, vem com uma balada que é tema de novela da Globo. Capital Inicial, Maroon 5 e Nando Reis são muito mais pop do que rock, fora que o Maroon 5 também está em trilha da Globo. Analisando a fundo, só Pitty, Charlie Brown Jr., Evanescence, Avril Lavigne e Linkin Park tem um cheiro mais roqueiro, e, mesmo assim, fazem um som pasteurizado pra facilitar a degustação das grandes massas.
Mas o problema nem está aí, afinal são pelo menos 10 grupos de ´rock´ nas paradas pelo Brasil, mas olha só o que aparece entre as dez mais tocadas: Ivete Sangalo, Zezé de Camargo e Luciano, Latino, Babado Novo, Chitãozinho e Xororó, Leonardo, Bruno e Marrone e Rick & Renner. Essa é a verdadeira música pop do Brasil, Skank e Ira!, entraram de gaiatos nesta história, estão lá por força de coincidências, mas loguinho devem deixar o posto para que Daniel, Hugo & Tiago e É o Tchan, assumam o lugar que é deles de direito.
Por que estou falando isso? Oras, 99% (posso ter exagerado, mas o número é bem próximo) das rádios brasileiras tocam apenas axé, sertanejo e pagode, porque sabem que é o que o povão quer ouvir. Para um corpo estranho entrar nesta lista, é preciso muito mais que qualidade musical, mas sim apelo comercial, e nada como um Acústico ou uma propaganda na Globo pra isso. Vejam, não estou duvidando da qualidade do Skank e do Ira!, ao contrário, estou louvando a participação deles numa lista de músicas mais executadas, mas é um caso atípico, que não deve ser considerado como: Opa, o pop/rock está renascendo e invadindo as rádios. Se esse levantamento excluísse as rádios de São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte, que é onde as rádios que apostam no pop estão, e fosse atrás dos números das rádios pelo interiorzão, podem ter certeza que tudo seria diferente.
O que fica disso tudo? Simples, o brasileiro gosta de babas, de músicas com duplo-sentido, de letras açucaradas e de um rostinho bonito, de preferência que venha com uma bunda bonita. Música com um pouco mais de qualidade, com letras um pouco mais inteligentes, com arranjos um tanto melhorzinhos? É melhor você mudar de país pra buscar isso, mas mesmo assim corre o risco de não encontrar.
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Duvido que você tenha visto, mas no domingo rolou a entrega do Grammy, considerado o Oscar da música nos Estados Unidos, no canal Sony (ia passar também na segunda na SBT). Não querendo comentar sobre os prêmios, já que nada realmente muito bom ganhou alguma coisa, tirando o U2, Green Day, Ray Charles e Norah Jones, o que ficou foi o espetáculo. Po, só a abertura com várias bandas se apresentando quase que simultaneamente, em uma sincronia de cair o queixo, já deveria servir de exemplo para as nossas MTV e Globo, que ainda tentam fazer eventos de grande porte.
Mas não só isso, cada apresentação, a de vários rappers, misturados com corais de música gospel, foi de arrepiar, mostram que os produtores brasileiros ainda estão zilhões de quilômetros de distância dos gringos. Enquanto aqui o som falha durante uma apresentação de David Byrne, lá está tudo perfeitamente equalizado. Enquanto aqui rola playback na cara dura e ninguém reclama, lá os caras tem que tocar pra valer. E não venham dizer que eles são mais profissionais que nós, são só mais competentes.

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