Sim, Ele é Ozzy

Attention: open in a new window. PrintE-mail
Ao concluir a leitura da auto-biografia de Ozzy Osbourne, um dos meu ídolos do heavy metal e  o primeiro e mais importante vocalista do Black Sabbath – não em termos de talento mas sim pela história  – cheguei a algumas conclusões.

De cara, a primeira: ele era um viciado idiota. Sim, pelo menos é o percebe-se ao longo das quase quatrocentas páginas do livro que entrou na lista dos mais vendidos do jornal americano New York Times.  O cara parece um conhecido meu que completou quarenta e sete anos de vida mas passou cerca de quarenta e cinco dormindo. Ozzy deve ter passado a maior parte da vida drogado ou bêbado. Ele, simplesmente, não conseguia passar uma parte do dia sem tomar um trago, fumar um bagulho ou cheirar alguma coisa. Claro que não era assim no início mas a partir dos primeiros ensaios da obscura Rare Breed o cérebro e o corpo do inglês não funcionavam sem algum estimulante.

Outra percepção: Ozzy é um tremendo de um sortudo. Somente isso explica como ele foi parar na banda do lendário guitarrista e riff maker  Tommy Iommi. Apesar de serem colegas de infância e escola, Iommi jamais escolheria o imbecil que trabalhava num abatedouro de animais para cantar em seu grupo de rock e blues. Foi um golpe do destino. Mesmo depois de ter sido demitido (adivinha por que?) do quarteto que se tornou referência para dez entre dez bandas de metal, o inglês for resgatado pela mulher que se tornou responsável pela sua carreira daí em diante.

O que nos leva ao próximo ponto: dizem por aí que cada pessoa tem o seu outro lado da laranja (ou maçã, sei lá), quero dizer, que existe alguém perfeito para formar o par com cada um de nós. Sharon Rachel  Levy (posteriormente Sharon Osbourne) praticamente levantou todo o império financeiro e artístico do vocalista. Não fosse por ela, não existiria Ozzy Osbourbe pós-Black Sabbath. É impressionante o que essa mulher passou. Chegou até a ser quase assassinada. Na verdade, eu não tinha uma boa referencia dela, afinal, geralmente no mundo do rock, o papel da mulher, quando não é a de artista principal, é ser groupie. Nada mais que isso. Se ultrapassar essa barreira, já começam os ataques. Vide as Yokos, Courtneys e Nancys. Sharon fabricou Ozzy Osbourne. Desde a organização dos primeiros shows até capas dos LPs. Tudo tem a mão dela. E até hoje é assim. Não é a toa que o próprio comedor de morcego (sim, essa estória é real) faz reverência à esposa sempre que pode. E dá até para imaginar seus olhos aterrorizados quando narrou a difícil fase em que Sharon lutou contra um câncer. Passei a admirar essa mulher.

O livro tem partes muito engraçadas, como nas histórias que rolaram na turnê junto com os hiper mega super ultra doidos do Motley Crue, onde em um das farras de drogas, álcool e mulheres, Ozzy acordou enrolado com um cara e pensou que tinha transado com ele. Para tirar a dúvida, foi examinar o pinto. Não sentiu nada. Começou a gritar e logo foi avisado que aquele pinto não era dele.

Mas o que prende o leitor fã de rock são as páginas dedicadas a Randy Rhoads, o guitarrista prodígio que tocou no primeiro disco solo e se tornou um dos melhores amigos do inglês. A parte que conta o acidente que matou Rhoads é de tirar o fôlego.

Tem também o capítulo que comenta o série The Osbournes foi ao ar. Mas, sinceramente, eu, como fã, prefiro esquecer essa fase.

No geral, o livro retrata muito bem quem é, de fato, Ozzy Osbourne. Nada do príncipe das trevas que arranca cabeça de morcego e pombas (sim, isso também aconteceu). Na verdade, ele está bem longe disso. Tirando as drogas, a lenda e o personagem, John (seu nome real) é um cara pacato, que adora os filhos, é apaixonado pela mulher e até (posso arriscar isso) meio religioso, considerando as vezes que ele menciona a palavra deus em suas memórias.
Por outro lado, fica uma coisa no ar. Apesar de ter sido assessorado pelo jornalista Chris Ayes, não dar pra ter certeza que o conteúdo é 100% verídico, afinal o cérebro do cantor foi, durante décadas, massacrado por tantas substâncias que, acreditar que ele lembrou de detalhes tão ricos como os contatados no livro, é algo bem difícil de acreditar. Mas, independente de qualquer coisa e sem medo de cair no clichê, a leitura é obrigatória.

Facebook

AGENDA

<<  May 2012  >>
 Mon  Tue  Wed  Thu  Fri  Sat  Sun 
   1  2  3  4  5  6
  7  8  910111213
14151617181920
21222324252627
28293031   

NEWSLETTER

Deixe seu nome e e-mail para receber nossa newsletter.