A música em 2009

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Daí procuro manter minha sanidade ouvindo umas coisas boas, de preferência das antigas. E tome Led Zeppelin, Beatles, Stones e Doors. Mas, depois de um tempo, fico puto de novo. Pô, será que não aparece nada que me faça sentir aquele arrepio quando ouço os trinados de Robert Plant, o baixo de McCartney ou os riffs de Keith Richard? Será que eu estou ficando velho mesmo?

Gostaria de sentir aquela sensação da primeira vez, como quando nos apaixonamos. Sabe como é? Aquela coisa de querer estar sempre perto, de rir das merdas que ela(e) fala, de dormir e acordar pensando naquela pessoa, de relacionar cada evento de sua vida com aquele ser que você venera, de planejar o futuro, enfim, toda essa bobagem romântica que o nego sente e faz quando está apaixonado.

Lembro da primeira vez que ouvi Beatles. Caramba. Durante uns três anos da minha vida não ouvia mais nada, a não ser os cabeludos de Liverpool ou bandas que pareciam com eles (Monkees, Hermans Hermits, Hollies, etc). Eu estava apaixonado. Mas, diferente da mulher (ou do homem, dependendo do sexo do leitor) que te fode a vida depois de um rompimento doloroso ou um chifre bem aplicado, a verdadeira paixão por uma banda é algo que raramente te decepciona. E fica pra sempre. Pode até diminuir depois de um período, como um casamento em que o casal precisa se renovar, se redescobrir. Com a música é mais ou menos assim.

Quantas vezes ficamos sem escutar determinada banda ou artista nos quais fomos apaixonamos um dia e depois, de certo tempo deixado de lado, ouvimos com um prazer quase que sexual? Infelizmente, nos últimos anos não tenho me apaixonado. Até tenho uns flertes, tipo daquele que você se empolga com a guria, transa algumas vezes mas não ficam as raízes. Sabe como é? Não lembro da última vez que me apaixonei por uma banda de forma arrebatadora, que me deixasse de quatro no ato. Quase aconteceu com Wolfmother mas, porra, eu já amava Led Zeppelin. Também fiquei animado com Strokes mas os Stones já haviam me conquistado. Apesar de serem bandas muito legais, é como se apaixonar por Danny Carlos ou Emerson Nogueira. Tá bom, pirei quando ouvi o primeiro cd do Chemical Brothers (finalmente lembrei de um). Só que já isso faz um bom tempo.

Mas não posso ser injusto. Têm artistas que procuram se superar e sempre adicionar novos elementos em seus trabalhos. Dizer que Madonna é a mesma de vinte anos atrás seria sacrilégio de minha parte. No entanto, são raras as exceções.

Dito isso, o que esperar para 2009? Realmente não sei. Também não sei o que eu gostaria de ouvir. Ainda pode se criar alguma coisa que valha a pena? Vejam o recente grande fenômeno do pop brazuca da última semana. Mallu Magalhães tocando folk music. Uau, que novidade!

Também não se ouviu muita inovação do primeiro escalão das bandas ou artistas nacionais. Fica até uma sensação de tomar café requentado. Será que é por isso que Kalypso (ou colapso) faz tanto sucesso?

Mas isso não é o pior. A nova safra de bandas está cada vez mais parecida entre si. Juro pra você, caro leitor, que não sei diferenciar quem é quem como eu sabia (muito bem, por sinal) até um certo tempo, quando havia uma particularidade marcante em cada grupo. Dava pra confundir Camisa de Vênus com RPM ou Ultraje a Rigor com Paralamas? Mas a gurizada gosta dos CPM’s, Detonautas e Fresnos da vida, não gosta? Que assim seja.

Então hoje, se alguém me perguntar sobre o que eu espero para o ano novo no quesito música, vou enrolar, desconversar, puxar outro assunto e até simular um desmaio só para não responder o que eu não queria responder: não espero absolutamente nada. No mais, feliz 2009.

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