Marco Ribeiro
Outro dia, quando o cinqüentenário de Renato Russo foi notícia, fiz uma varredura mental dos últimos vinte e cinco anos do pop nacional e percebi que sou um privilegiado por ter pertencido a (aparentemente) última geração de grandes letristas brasileiros. Depois dessa dura reflexão, saí para dar uma volta de carro e sintonizei uma rádio de flashback que tocava Nada a Declarar (Ultraje a Rigor), que abre esse artigo. E pensei: é um sinal
Read more: A eminente extinção dos poetas do rock brasileiro
Lembro da minha infância e de como eu gostava da época natalina. Ficava todo feliz por ter tirado notas boas na escola e esperava a recompensa no dia vinte e cinco de dezembro, quando o bom velhinho sempre deixava um brinquedinho diferente do que eu pedia na cartinha, enviada um mês antes
Morrer faz bem para o sucesso! Mórbido demais? Não, basta ver que os discos de Michael Jackson passaram a aparecer entre os mais vendidos em todos os cantos do mundo. Então, quer fazer sucesso? Morra!
Tenho
consciência que sou um cara meio sombrio e desesperançado mas pioro
muito quando chega o fim do ano. Sabe, essa coisa de natal,
presentinhos, uns coitados vestidos de papai Noel, Simone cantando
“Então é Natal” em tudo que é loja, boteco, padaria e até puteiro, me
deixam meio pra baixo. Na verdade, puto mesmo.
No diálogo inicial do filme Alta Fidelidade, o protagonista Rob Gordon lançou um enigma: o que veio primeiro, a música ou a miséria?E continuou: “as pessoas se preocupam com crianças brincando com armas, vendo vídeos violentos, como se a cultura da violência fosse consumi-las. Ninguém se preocupa se escutam milhares de canções sobre sofrimentos, dor, miséria e perda. Eu ouvia música pop porque era infeliz ou era infeliz porque ouvia música pop?”.
More Articles...
Page 1 of 6

Colunistas 

