Depeche Mode
Friday, 10 March 2006 21:00
Por volta de 19/7/80, os garotos têm seu primeiro contato com o vocalista Dave Gahan, que cantava em outra banda. Logo, ele viria a se juntar à trupe, depois de receber um convite de Vince. E surgia o Depeche Mode, nome ´emprestado´ de uma revista francesa de moda. Já em 1981, eles lançam seu primeiro álbum ´Speak and Spell´. Este álbum veio acompanhado de uma ´pequena´ mudança filosófica: a troca das guitarras pelos então novos sintetizadores. Era uma escolha sensata, visto o baixo poder aquisitivo dos rapazes. Com os teclados, eles não precisavam de amplificadores e poderiam ensaiar em seus próprios quartos, sem incomodar os vizinhos.
Os dois primeiros singles do álbum foram ´Dreaming of Me´ e ´New Life´, que alcançaram boas posições nos top 40 ingleses. Mas, o terceiro single ´Just Can´t get Enough´ viria a se tornar o maior hit da banda, alcançando o 3º lugar nas paradas britânicas. Um feito extraordinário! Tudo isso foi possível graças à Daniel Miller da Mute Records, gravadora da banda até hoje. Agora, nada poderia dar errado. Bem, quase nada. Em 1982, Vince Clarke (principal letrista da banda) resolve deixar o grupo. Não por problemas pessoais mas por ver que a banda estava tomando o caminho do ´mainstream´, coisa que ele não queria. Seu verdadeiro compromisso era com o experimentalismo. Isso pôs em perigo o futuro do grupo, e um segundo álbum começava a ser necessário. Foi quando Martin Gore assumiu a dura tarefa de produzir 11 músicas para o novo álbum. Segundo ele (que sempre compôs, desde os 13 anos), ´por sorte éramos jovens e despreocupados; fomos para o estúdio e o segundo álbum aconteceu!´. Ele ainda lembra: ´o segundo álbum não era nenhuma obra prima, mas dava para o gasto!´.
´A Broken Frame´ foi o segundo álbum. As letras de Martin mostravam ser muito diferentes das de Vince, pois possuíam um caráter mais hipnótico e depressivo. Já as de Vince tinham uma forte tendência dançante e desencanada (fato comprovado por seus dois outros projetos: Yazoo e Erasure). Embora toda a poeira já tivesse baixado, tornou-se necessário preencher a lacuna técnica deixada por Vince. Aí, passa a fazer parte da trupe o tecladista e produtor Alan Wilder. Em 1983, é lançado o terceiro álbum ´Construction Time Again´. Este já mostrava um avanço enorme em relação ao irregular segundo álbum. Alan introduziu as então novas técnicas de ´sample´ e programação de teclados. O resultado foi uma melodia mais densa, amparada por uma sólida base de sintetizadores e baterias eletrônicas. A esta altura, a banda já era um tremendo sucesso na Europa.
O quarto álbum ´Some Great Rewards´ seguia o mesmo estilo do anterior. A música ´People are People´ é o single que, além de sucesso em toda a Europa, chega também aos EUA. O Depeche Mode passa a ser cultuado como uma banda ´underground´ nos States, tocando insistentemente em rádios piratas. Só que os americanos não conheciam muito do trabalho da banda. Isso fez com que fosse lançado um álbum exclusivo nos States chamado ´People are People´, que continha singles novos e mais antigos. Em 85, a banda lança a primeira coletânea: ´The Singles 81-85´.
1986. O novo álbum é ´Black Celebration´, que torna ainda mais evidente a tendência ´dark´ dos caras. Logo depois, em 87, é lançado ´Music for the Masses´ com os singles que viriam a se tornar os mais bem sucedidos da carreira do Depeche Mode. Canções como ´Never let me down Again´, Behind the Wheel´ e ´Strangelove´ tocaram insistentemente nas rádios de todo o mundo. Em 88, é lançado o duplo ´101´, que é uma gravação ao vivo do show número 101 da turnê ´Concert for the Masses´. Isso fecha a segunda fase da banda, e também sua contribuição para os anos 80.
A década de 90 foi marcada pela explosão do movimento Grunge e a consolidação do HouseTechno como preferência mundial. Neste cenário, o Depeche Mode emerge como uma aclamada banda ´alternativa´, devido a sua mistura bem dosada de Rock e Dance Music. O álbum Violator de 1990 explode em vendas, fazendo com que estas correspondessem ao público dos shows. Os principais singles foram ´Enjoy the Silence´, ´Personal Jesus´, ´Halo´ e ´Policy of Truth´.
Após Violator, segue-se um hiato de 3 anos. Os membros da banda estão exaustos e as crises existenciais começam a surgir, principalmente por parte de Alan Wilder e Dave Gahan. Mas o tempo cura as feridas e, em 1993, chega às lojas ´Songs of Faith and Devotion´. É um álbum completamente fora dos padrões da banda, pois exclui boa parte dos sintetizadores, traz de volta as guitarras e introduz a bateria real. É um disco coeso, bem produzido, que dividiu os fãs da banda: uns odiaram e outros amaram. De qualquer forma, foi uma bem sucedida incursão da banda nas áreas Gospel, Blues e Rock´n Roll.
E começam a surgir os problemas. Primeiro, Alan deixa a banda para se dedicar a seu projeto solo ´Recoil´. Isso em 1995. Por outro lado, Dave muda-se para a América, onde fica viciado em heroína. Em seu ponto alto, ele chega a tentar o suicídio, ficando no hospital entre a vida e a morte. Parecia que o fim da banda estava próximo, visto que Martin e Fletcher não continuariam com os trabalhos se Dave morresse.
Mas eis que, em 1997, eles ressurgem com o excelente álbum Ultra. Dave parece estar completamente regenerado e a banda retorna ao estilo ´eletrônico´ que a consagrou, usando e abusando dos sintetizadores. E, além disso, grande parte do sucesso de Ultra está na produção de ninguém menos que o ´ex-Bomb the Bass´ Tim Simenon, que imprimiu uma característica própria ao ´novo´ som da banda. O resultado era um som aparentemente retrô mas muito atual. Enfim, um álbum atemporal. Os singles foram ´Barrel of a Gun´, It´s no Good´, ´Home´ e ´Useless´.
No ano seguinte, é lançado o CD single ´Only when I lose Myself´ que, além da faixa-título, contava com as instrumentais ´Surrender´ e ´Headstar´. Aliás, instrumentais sempre foram uma característica da banda que, neste quesito, poderia ser enquadrada num som ´Ambient´. No mesmo ano, o Depeche Mode lança sua segunda coletânea, o duplo ´The Singles 86-98´. Finalmente, uma nova turnê ´The Singles Tour´, que percorreu toda a Europa e EUA, provando que o Depeche Mode venceu a barreira da descartabilidade e já ocupa um lugar na galeria dos ´cults´ da música Pop, ao lado de The Cure, Duran Duran, U2, etc...
Em 2001 lançam o álbum Exciter, Dream On, o primeiro single apareceu na net meses antes do lançamento oficial do trabalho e mostrava um Depeche fiel aos trabalhos anteriores. Com o lançamento do disco saem em turnê pela Europa e Estados Unidos. Esta tour, que se estenderia até o meio de 2002 foi cancelada logo no começo deste ano, devido a problemas familiares com um dos integrantes da banda. Em maio é lançado o DVD One Night in Paris, com o show feito na capital francesa na integra, além de contar com entrevistas, clipes e cenas de bastidores.
Em 2004 sai um disco de remixes dos maiores sucessos do Depeche. Boatos dão conta que em 2005 um novo trabalho da banda chegará às lojas.
Os boatos estavam certos, 2005 é o ano do lançamento de Playing the Angel, quer marca um certo abandono das guitarras e a recuperação dos sintetizadores que estavam um tanto de lado nos últimos discos.
Fonte: Midnight Party Home Page com revisão e atualização de Valdir Antonelli




