David Byrne
Saturday, 22 March 2008 21:00
O Talking Heads, hoje muito mais conhecido por ter influenciado uma geração de roqueiros americanos do que por fazer sucesso, teve seu primeiro disco, Talking Heads `77, lançado em 1977 e trouxe o hit Psycho Killer. No ano seguinte sai More Songs About Buildings and Food e em 79 Fear of Music, considerado um dos melhores discos da banda. 1980 vêm com o lançamento de Remain in Light, que tem entre as faixas mais um hit, Once in a Lifetime.
Depois do lançamento de Remain in Light, disco marcado pelo funk e ritmos africanos, Byrne e trupe resolvem dar uma parada com o Talking Heads e se dedicam a projetos solo. O líder da banda lança em 81, junto com Brian Eno, o disco My Life in the Bush of Ghosts, a primeira investida dele no que ficou conhecido como World Music. Ainda neste ano ele escreve algumas peças para o teatro. Só em 1983, três anos depois de Remain in Light, um novo disco - com material inédito, já que um ano antes eles lançam um ao vivo - dos Heads vai para as lojas. Speaking in Tongues vem auxiliado pelo sucesso de Burning Down the House e traz uma banda que deixa de apenas flertar com o funk e entra de cabeça no ritmo. Logo após o lançamento do disco saem em turnê que resulta no filme Stop Making Sense. O clipe de Once in a Lifetime, retirado do filme, é clássico.
Em 1985 sai mais um disco dos Heads, Little Creatures, com mais um hit, Road to Nowhere. No mesmo ano é lançado True Stories, primeiro filme de David Byrne. Como frutos do filme saem dois álbuns, um totalmente feito por Byrne com o nome de The Sounds of True Stories. O outro, chamado apenas True Stories, conta com a participação da banda e trás o maior hit dos Talking Heads, Wild Wild Life. A crítica não foi muito com a cara dos dois trabalhos, principalmente o feito pelo grupo, dizendo que o trabalho não tinha consistência.
Talvez como reflexo o último disco do Talking Heads é lançado dois anos depois. Naked, disco que trás Nothing But Flowers, que, assumidamente, tem o riff de abertura chupado de uma música dos Paralamas do Sucesso. O novo trabalho, mesmo sendo dos Heads, já trás os elementos que marcaram a carreira solo de Byrne, a inclusão de ritmos africanos, latinos, orientais, tudo o que caracteriza a world music. O grupo resolve se separar e cuidar de seus projetos solos.
No ano seguinte Byrne compõe a trilha para a comédia De Caso com a Máfia e ganha um Oscar pela trilha de O Último Imperador, composta com Ryuichi Sakamoto e Cong Su. Cria em 1988 seu próprio selo, Luaka Bop, totalmente dedicado aos "sons de todos os povos". Foi ele o responsável pelo retorno aos palcos de Tom Zé, que foi "descoberto" por Byrne em uma de suas andanças pelo Brasil. Também pelo selo começam a sair os novos trabalhos solo do músico. O primeiro é Rei Momo, inspirado em ritmos latinos. No mesmo ano do lançamento de Rei Momo, Byrne dirige o documentário The House of Life, que trata de rituais de dança da música urbana. Dois anos depois mais um trabalho, The Forest, que contou com a parceria de Robert Wilson. The Forest é baseado em uma peça de mesmo nome lançada alguns anos antes na Alemanha.
O disco seguinte, trilha do filme Uh-Oh, mostra a volta do músico para o rock básico. Uh-Oh é um disco pop e desagrada os fãs do músico já acostumados com a carreira solo embalada por ritmos de "povos distantes", diga-se latinos e africanos. O disco se mostra um fracasso de vendas. O trabalho seguinte, chamado apenas de David Byrne, é um meio termo entre o som característico do Talking Heads com as experimentações com ritmos diferentes, também não dá muito certo e passa batido. Em Feelings, disco de 97 uma nova mudança de rumo, agora apostando no trip hop e na música eletrônica. Feelings contou com a participação das bandas Morcheba e Devo.
Look into Eyeball, disco de 2001 coloca o músico novamente no mapa musical mundial. O uso de ritmos "exóticos" cai na graça da crítica que coloca o disco como um dos melhores de sua carreira solo. Em 2003 é lançado Lead Us Not into Temptation, um misto de trabalho solo com trilha sonora, já que foi feito em conjunto com o pessoal do Belle & Sebastian e Mogway como trilha para o filme Young Adam.
Em 2004, Byrne vem ao Brasil para a divulgação de seu mais novo trabalho, Grown Backwards, lançado este ano e que, segundo os críticos, mostra um David Byrne maduro, seguro do que está criando e que "tem prazer com o simples ato de criar", nas palavras de James Christopher Monger para o All Music Guide.
Apenas três anos depois, em 2007, Byrne volta ao trabalho e lança o CD/DVD The Knee Plays, com várias faixas demo e gravações nunca lançadas anteriormente.




