Cocteau Twins
Friday, 10 March 2006 21:00
Em 1982, o trio assina com a 4AD, selo mais conhecido por ser a casa da banda Birthday Party, cujos membros auxiliaram o Cocteau na contratação. O primeiro disco do grupo foi Garlands, que mostrava o embrião do som que viria a dar a cara para o Cocteau Twins, cheio de ecos, guitarras distorcidas e loops, que saiam da guitarra de Robbie Guthrie, embaladas pelo baixo cadenciado de Will Heggie e acompanhado por uma Roland 808, uma bateria eletrônica. Heggie deixa a banda logo depois do lançamento do EP, Peppermint Pig, que saiu alguns meses depois de Garland. Head Over Heels, o segundo disco cheio, foi produzido apenas por Liz Fraser e Robin Guthrie, e foi lançado em 1983. Mesmo atuando apenas em dupla, Head Over Heels é considerado o disco mais importante da banda, aquele que criou a magia em torno do nome Cocteau Twins.
Ainda em 1983, um novo baixista, Simon Raymonde, entra no grupo e participa da gravação de mais um EP, The Spangle Maker. Com o tempo, a entrada de Raymonde na banda se mostrou essencial para a carreira do Cocteau Twins, já que, aos poucos, ele passava a ter uma importância maior na composição e na produção dos trabalhos. Com o trio reformado, é lançado o álbum Treasure, de 1984, o mais maduro e consistente trabalho até então. Treasure também o é o disco mais conhecido da banda no Brasil. No ano seguinte, vários EP´s foram lançados, Aikea-Guinea, Tiny Dynamine e Echoes in a Shallow Bay, abrindo espaço para o disco acústico, Victorialand, e para mais um EP, Easy Tears, que saem no começo de 1986. Nesse mesmo ano, ainda trabalham com Harold Budd no disco The Moon and the Melodies.
Dois anos se passam, e, em 1988, finalmente, um novo disco da banda é lançado, Blue Bell Knoll, álbum que marca a assinatura do contrato com a multinacional Capitol Records, o que abriria as portas da banda para o mundo inteiro. Já em 1990, é lançado Heaven or Las Vegas, marcando uma longa relação entre a banda e o selo 4AD. Neste disco, pela primeira vez na carreira, Elizabeth Fraser coloca frases mais facilmente reconhecíveis. Algo que também acontece no disco seguinte, Four-Calendar Cafe, de 93.
Nesse meio tempo, em 1991, o grupo esteve no Brasil e se apresentou no antigo Projeto SP, foi uma decepção, o público queria ouvir as faixas de Treasure, disco mais conhecido da banda, mas nenhuma música deste trabalho foi tocada. Outra decepção foi a voz de Elizabeth Frazer, desafinada na maior parte da apresentação, mostrando que o Cocteau Twins é uma excelente banda de estúdio.
Em 1995, eles resolvem experimentar novos caminhos musicais e lançam dois EP´s, o primeiro, Twinlights, vem recheado de sons acústicos, o segundo, Otherness, mostra o Cocteau Twins flertando com a música eletrônica. As tentativas de trabalharem com outras sonoridades são esquecidas e, em 1996, é lançado o último trabalho de estúdio da banda, Milk & Kisses, que traz o retorno ao velho estilo. Em 1999, é lançado um BBC Sessions, com gravações que a banda fez nos estúdios da emissora.
O grupo nunca acabou oficialmente, mas seus integrantes partiram para outros projetos. Robbie Guthrie passa a se dedicar à banda Violet Indiana. Em 2003, lança seu primeiro solo, Imperial, totalmente instrumental. Elizabeth Frazer colabora com vários artistas, como Echo and the Bunnymen, e se dedica à família. Simon Raymonde, passa a trabalhar com a produção de diversas outras bandas e lança um disco solo, Blame Someone Else, em 1997.
Por Valdir Antonelli
Foto por Derek Ridgers




