Doors
Written by Valdir Antonelli Wednesday, 22 June 2005 21:00
Em 1966 assinam com a Elektra Records, por onde lançariam The Doors, primeiro álbum, no ano seguinte. Este disco traz um dos maiores hits da carreira da banda, Light My Fire. Puxado pela canção, o LP é um tremendo sucesso se transformando em uma das estréias mais importantes do rock mundial com sua mistura de psicodelia, blues, country e até música clássica, criando algumas das mais belas melodias pop de todos os tempos e não soando como nenhum outro grupo da época. Como uma riqueza de detalhes, vocal marcante e poesias, Morrison conseguia explorar as mais profundas e negras entranhas da psicologia humana em excitantes viagens psicodélicas. Os riffs de guitarra, junto com os teclados de Manzarek eram hipnotizantes e cativavam uma audiência incrédula ao som de Break on Through e The End, com seus mais de 11 minutos de puro êxtase.
Neste mesmo ano, 1967, é lançado outro álbum Strange Days, com canções compostas e gravadas na mesma época das criadas para o primeiro LP. Strange Days é uma continuação do disco de estréia, mas com músicas um pouco mais ´fracas´, mesmo que jamais possam ser chamadas de sobra de estúdio. Talvez por isso o terceiro álbum, Waiting for the Sun, tenha sido recebido com frieza pela crítica e por parte de público - para desespero da gravadora que havia criado grande expectativa sobre o novo trabalho -, que achava que o esforço usado na criação da obra prima em The Doors, tenha exaurido a força criativa da banda. Waiting for the Sun é um disco recheado de baladas, um tanto meloso e com canções consideradas sem a qualidade das criadas anterioremente, transformando a banda de revolucionária em cópia de outros grupos, principalmente o Kinks.
A banda parece sem rumo e lançam, em 1969, The Soft Parade, considerado o pior disco da carreira do Doors com Jim Morrison nos vocais. Soft Parade se perde nas experimentações feitas pela banda, principalmente com o uso de metais e instrumentos de corda, sobre a base característica do grupo, que ainda se mantinha ligado ao blues e ao country. A música de maior sucesso foi Runnin´ Blue em detrimento à Shaman´s Blues, canção dificilmente lembrada entre as melhores do Doors. Mas o fundo do poço ainda estava por vir. Em 1970 sai o disco ao vivo Absolutely Live, apenas com músicas não lançadas até então - posteriormente, quando lançado em CD, este álbum teve o acréscimo de outros shows como Alive, She Cried e Live at the Hollywood Bowl, ganhando o nome de In Concert. Absolutely Live foi gravado entre 1968 e 1969, com Jim Morrison mostrando-se totalmente desinteressado e apagado ao vivo, não levando as apresentações à sério e provocando a platéia o tempo todo. Neste mesmo ano, em um show em Miami, Morrison é preso por atentado ao pudor, ao mostrar o pênis durante o show.
Parece que o baque da prisão serviu para o grupo voltar a criar e, em 1970, sai Morrison Hotel que, mesmo não sendo um grande sucesso de vendas, foi extremamente bem recebido pela crítica trazendo uma das mais belas canções já feitas no rock mundial, Waiting for the Sun. Muito carregado no misticismo, já que Morrison pouco tempo antes, passou a acreditar que era a reencarnação de um Shaman, o álbum foi calcado nesta mistura entre o oculto e o hard rock resgatado pela banda e, na faixa The Spy, já trazia elementos do que viria a ser o trabalho seguinte, L.A. Woman, lançado um ano depois.
L.A. Woman é um trabalho que resgata as origens blueseiras de Morrison e Manzarek e, tristemente, é o último trabalho de Jim. Na época o cantor já havia se mudado para a França e foi encontrado morto, supostamente, por overdose. Mas L.A. Woman continuava fazendo sucesso. É deste álbum outra canção que entraria no rol das melhores já criadas, Riders on The Storm. É unânime dizer que o grupo deveria ter acabado por aqui, mas os três membros que restaram não pensavam assim e, em 1971, lançam o fraco Other Voices.
Other Voices foi lançado graças a generosa oferta feita pela gravadora, para que o grupo continuasse vivo. Com um disco que em nada lembrava a fase anterior, Other Voices desagradou a todos, principalmente os fãs, que acharam o trabalho um insulto à Jim Morrison. Mesmo assim, no ano seguinte, o trio tenta novamente e sai o álbum Full Circle. Um completo fracasso e a banda finalmente acaba.
Em 1978 o primeiro caça-níqueis é lançado: An American Prayer, que resgata velhas composições de Morrison, mantendo a aura mística e usando o sexo como tema recorrente. É considerado um disco difícil de ser entendido, mas traz as últimas composições feitas pelo gênio que era Jim Morrison, por isso é item obrigatório entre os fãs da banda.
Treze anos depois, em 1991, Oliver Stone cria a sua versão para a história do grupo com o filme The Doors, com Val Kilmer no papel de Jim Morrison.
A lenda estava criada e atrás disso foram lançados mais de 30 compilações, entre coletâneas e gravações ao vivo durante todos estes anos, além da banda ter todos os álbuns relançados várias vezes por sua gravadora e diversas biografias espalhadas pelo mundo. Mas, para quem pensava que mais nada poderia ser feito para faturar mais alguns trocados, em 2003 os remanescentes do grupo resolvem reviver o Doors, agora com o vocalista Ian Astbury, do Cult, à frente do microfone. Com esta formação eles se apresentaram no Brasil em 2004. Agora, em 2005, com a saída de Astbury, estão procurando um novo vocalista para continuar a turnê do The Doors.
Por Valdir Antonelli




