Blondie
Written by Administrator Thursday, 10 March 2005 21:00
Mas Debbie sempre foi uma menina levada, odiava estudar, ela gostava na adolescência de ouvir Rock n Roll. Abandonou o colégio, para ir conquistar seu lugar ao Sol em Nova York, pois ela estava decidida a ser artista de qualquer jeito. O começo foi duro para a garota. Trabalhou em um supermercado e depois como secretária na BBC. Artistas como The Doors, Lou Reed e Velvet Underground deixaram uma forte impressão em Debbie. Entre 1968 a 1969, ela trabalhou como garçonete no Max´s Kansas City, onde serviu os The Jefferson Airplane, no jantar antes do show de Woodstook. Tornou-se tambem, amiga de Andy Warhol, famoso artista underground nova-iorquino.
Seu primeiro trabalho como cantora, foi o backvocal da banda folk The Wind in the Willows em 1968. Ela também fez alguns bicos como modelo, quando aceitou ser uma Playboy´s Bunny(Debbie ainda conservava a cor morena natural dos seus cabelos) por um tempo, enquanto não aparecia novas oportunidades. No inicio dos anos 70, entrou para um grupo teatral nova-iorquino, The Stilettoes, que misturava elementos musicais, com teatrais e dança. Ficou loira. Foi mais ou menos nesta época, que ela conheceria seu parceiro de quase toda vida, Chris Stein. O Stilettoes, passaram a tocar, no berço do movimento punk, o bar CBGB´s, (Country, Bluegrass and Blues). O grupo não durou muito, pois cada integrante tinha sua própria visão e cada um foi para seu lado.
Nasce o Blondie
Debbie e Chris, agora namorados, decidiram criar sua própria banda, com alguns ex-integrantes do Stilettoes. Tiveram outros nomes como Angel and the Snake e Blondie and the Banzi Babes, até que finalmente optaram apenas por Blondie, ainda quando estavam tocando no CBGB´s. Após perder o baterista, que saiu para se tornar médico, a banda logo contou com as bateras de Clem Burke, que já tocava bateria criança, pois seu pai também tinha sido baterista. Debbie e Chris encontraram o baterista perfeito. Nesta época, Fred Smith, um dos membros do grupo, deste os tempos do Stilettoes, deixou a banda, para se juntar ao Television. Desconfiados que havia um complô contra o grupo no CBGB´s, a banda quase pensou em acabar ali mesmo, antes de começar.
Incentivados pelo baterista Clem, convidaram o baixista Gary Valentine a se juntar ao grupo. Junto com Debbie, Valentine, escreveu X-Offender, e o grupo passou a tocar no palco do CBGB´s revezando junto com outras bandas como Talking Heads, Ramones e Television, só para citar as mais famosas. Para acrescentar um pouco mais de pop, na musica punk da cena do CBGB´s, eles passaram a contar com os teclados de Jimmy Desntri. Pronto, estava formada a primeira formação do Blondie, pronta para o sucesso. Pouco depois da entrada de Denstri, o grupo foi impedido de tocar no bar, por causa de uma discussão entre Valentine e o gerente do CBGB´s.
O Blondie passou então a tocar em outros bares, como o Brandy´s e o Monty Python´s, onde ganharam mais sucesso e refinaram o som. Passaram a produzir algumas demos com a ajuda de editores de revistas da nova cena punk . Em 1975, depois de uma viagem a Inglaterra, o baterista Clem Burke, retorna influenciado pelo som da banda Dr. Feelgood, e o grupo vê que a direção que o Blondie deveria seguir era esta, a chamada new wave. Conseguem um contrato para produção de dois singles, X-Offender e In the Flesh. Apesar de não se tornarem um sucesso, eles conseguiram um contrato para um álbum, com a companhia Private Stock. Após trabalharem duro, o álbum finalmente sai em Janeiro de 1977, com o título homônimo de Blondie.
A banda logo arrumou um produtor, que decidiu leva-los para Los Angeles. Eles tocaram no bar Wiskeys ao lado dos Ramones por uma semana e foram um sucesso. Surgiu, Mike Chapman, que viu alguns destes shows, e ficou interessado em produzir o grupo. David Bowie e Iggy Pop, após escutar o álbum do grupo, decidiram contatar a banda para abrir seus shows. O Blondie seguiu em sua primeira turné, abrindo os show de Iggy. Foram 6 shows, entre os Estados Unidos e Canada. Debbie disse que aprendeu muito sobre sua perfomance no palco com Bowie e Pop, tanto artisticamente como também no estilo.
Depois da tour voltam para New York, onde começam a receber elogios da crítica. A banda então começa a juntar material para seu segundo disco, enquanto tocava novamente no CBGB´s e Max´s.
No mesmo ano, em maio, embarcam para sua primeira turné na Inglaterra. Tocando junto com o Televison. Logo começam a chamar da crítica inglesa e ganham elogios do público. Tudo caminhava para uma turné bem sucedida. O Blondie tocou em varias partes do Reino Unido como Londres e Glasgow. Infelizmente o relacionamento entre o baixista Gary Valentine e os outros membros da banda, azedou durante esta turné. Por causa da turné inglesa, o Blondie ganhou uma legião nova de fãs, maior até que a americana. A Inglaterra, passou a ser a segunda casa da banda.
Plastic Letters
Após a bem sucedida turné o Blondie voltou para casa, para gravar um novo álbum. O relacionamento entre Valentine e o Blondie fica ainda mais tenso. Ele prometeu deixar a banda após a turné inglesa, mas decidiu entrar em estúdio para mais um disco. Logo no começo dos trabalhos Valentine, se opôs a versão da musica Denis, que Debbie queria. Segundo ele, ela feria os princípios punks da banda. Como não se chegou a um acordo sobre isto, o produtor , resolveu sacar Valentine para fora do Blondie. Logo, o baixista Frank Infante, assumiu o lugar de Valentine, e o disco finalmente pode ser finalizado. Infelizmente, a idéia inicial de se fazer um álbum duplo, foi descartada, para desespero da banda, pela Private Stock Records, tornando o relacionamento entre a banda e a produtora pior do que já estava. O produtor do Blondie, resolveu quebrar o contrato com a Private Stock e assinar com a Chrysalis Record, que era uma companhia com melhor qualidade e maior distribuição. A quebra de contrato com a antiga produtora custou um pouco pesado para os bolsos da banda. Houve nova pressão da atual produtora, a Chrysalis, quanto a capa do álbum, que teve que ser mudada.
Apesar de toda maré baixa o segundo disco, finalmente, ficou pronto, era Plastic Letters. O Blondie vai novamente para Los Angeles, onde toca durante 6 noites nos bares da cidade, para que os produtores da Chrysalis (que tinha sede na cidade), pudesse ver o grupo tocando ao vivo. Pra ajudar o baixista Frank Infante, não conseguia tocar direito com Chris Stein. Voltam para NY, onde fazem alguns shows no CDGB´s e de lá vão novamente para Los Angeles, para um pequeno giro de apresentações na costa oeste. Foi neste momento que eles viram Nigel Harrison tocando baixo em outra banda. Nigel foi convidado a tocar no Blondie, e acabou se juntando a trupe já composta por Debbie, Stein, Destri, Burke e Infante.
Vendo o potencial do grupo, a Chrysalis sugeriu que Mike Chapman assumisse a produção da banda. Ele era australiano e já tinha gerenciado varias outros artistas. Alem disso, depois dos E.U.A e Reino Unido, a Austrália, passou a ser o país com mais fãs do Blondie. O produtor resolveu, então, que a banda precisava sair para sua primeira turné mundial.
Debbie Harry foi enviada, sozinha à Austrália por duas semanas, para promoção da futura turné. Ela causou grande sensação com a imprensa, principalmente por causa de sua sexualidade. Após esta viagem, Debbie foi enviada para o Reino Unido para se juntar ao resto da banda. A segunda turné na Inglaterra começou com grande sucesso. Após o Reino Unido, a banda tocou em Paris, Amsterdã, Munique, e, finalmente, Austrália.
Mas a relação entre o produtor, Peter Leeds, e a banda, começou a ficar estressante, pois eles achavam que Leeds os tratava como crianças. Após a turné ter passado e conquistado a Austrália, o grupo foi enviado de férias para a Tailândia, onde acabaram fazendo quatro shows em um hotel de Bangkok, na virada de ano para 1978. Após isto a banda foi para o Japão, onde foi recebida positivamente pela imprensa local apesar do prejuízo financeiro de todos os shows em solo japonês.
Retornam a Inglaterra, onde a cena new wave já tinha colocado músicas como Denis e Presence Dear nos primeiros lugares das paradas. Platic Letters finalmente é lançado em fevereiro de 1978, e o Blondie começa uma turné promocional pela Europa, mesmo com o relacionamento com Leeds estar cada vez mais frio. Após um show para a TV alemã finalmente o grupo pode ir para casa para merecidas férias de apenas um mês.
Com o sucesso da turné promocional Européia, os produtores decidiram fazer a mesma coisa nos Estados Unidos, pois em sua própria terra, a banda ainda não havia conquistado o respeito merecido que tinham na Europa. Esta turné promocional começou com o produtor Leeds e o guitarrista Stein, saindo a campo para promover a banda junto com Debbie. Durante este giro pelos States, Chris e Debbie encontraram com um representante de vendas da Chrysalis que tinha sido responsável pelo estouro de Bowie nos EUA. Ele se uniu à banda durante a turné, que acabou sendo bem sucedida. Isto deu a Debbie mais destaque à sua carreira e a da banda dentro de seu próprio pais. Começava o namoro dos americanos com Debbie Harry, que tornava-se a partir daí um dos ícones dos anos 70.
Parallel Lines
Após esta turné a banda se reagrupou novamente para mais um álbum, o terceiro. Muitas das canções deste novo trabalho, Parallel Lines, já estavam sendo executadas ao vivo. Algumas ganharam novas versões, como Once I had a Love que se tornaria o hit de discoteca, Heart of Glass. Isto deu vantagem à banda na hora de gravar, já que estavam familiarizados com o material. Em maio de 1978, a tocaram em grandes arenas de espetáculos, como o Starwood em LA, o Mabuhay Gardens em San Francisco, e o Palladium em New York. Neste último show, contaram com a presença de Robert Fripp, em uma participação especial. Houve tambem o cover para I Feel love, de Donna Summers. Era o começo do namoro com a disco music. Ainda durante as gravações de Parallel Lines, trocam de produtor, saindo Leeds e assumindo Mike Chapman, que preparou o novo disco com um toque mais comercial. Ele queria a todo custo que o álbum se tornasse o número um da América. Neste terceiro álbum, perdem seu lado punk, para entrarem no lado mais pop e comercial, com o hit das discotecas, Heart of Glass. Enquanto Chapman ia mixar o novo álbum em L.A., o Blondie se prepara para a foto de capa do álbum. Esta foi a última colaboração de Leeds, foi dele a idéia de ter a foto da banda junto com linha paralelas, com os membros masculinos sorrindo e apenas Debbie com uma face mais fechada(idéia que não foi de muito agrado dos membro da banda, apenas para Leeds).
Após a gravação do novo álbum, saem em nova turné pelo Estados Unidos, junto com o Kinks, entre julho a agosto de 1978. Ao final dela a imprensa já tinha outra idéia da banda, diferente do punk, do início. O disco Parallel Lines foi lançado e a embarcam para nova turné européia. Hanging On The Telephone foi o primeiro hit na Inglaterra. A turné começou em Bilzen, com uma audiência de 10.000 pessoas, a maior na carreira do Blondie até aquele momento. Ainda na Inglaterra foi promovida uma exposição em homenagem ao grupo, a Blondie in Camera. A turné continuou na Suécia, Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça e finalizou novamente na Inglaterra. Enquanto os singles de Parallel Lines ganhavam os primeiros lugares nos charts europeus, o primeiro single americano, I´m Gonna Love You Too, falhava na própria terra da banda. Então a banda voltou para os States, e prepara Heart of Glass para ser lançado no final de setembro de 1978. Foi um verdadeiro estouro. A banda finalmente havia ganhado a América. Entre 29 de outubro a 16 de novembro, uma nova turné é iniciada nos Estados Unidos, de apenas 3 semanas, que culminou em um grande show no Paladium de Nova York.
Infelizmente, por causa do antigo contrato com o ex-produtor Leeds, o grupo acabou sofrendo um processo nos tribunais. Apesar disto, continuaram seu caminho apesar de ter perdido o processo para Leeds. No ano novo de 1978, tocam em Winterland com o REO Speedwagon em São Francisco. O show foi um grande sucesso. Finalmente, depois de 6 meses de lançamento de Parallel Lines, Heart of Glass tornou-se um grande sucesso na América, levando o Blondie ao posto de número 1 dos EUA. Assinam, também, um acordo com a Collegue Shep Gordon para gerenciar a carreira do grupo, onde um sólido relacionamento de trabalho começava a ser criado. Com o sucesso de Heart of Glass, ganham mais destaque na mídia, e são convidados para aparecerem em dezenas de programas de TV americana. O sucesso, também foi sentido no Brasil, pois a musica Heart of Glass passou a ser tema da novela Pai Herói da Rede Globo em 1979, e tocou bastante nas discotecas tupiniquins.
Devido ao sucesso do Blondie, principalmente de Debbie, ela foi convidada a participar de um filme, Union City, era o início de sua carreira em Hollywood. Depois disso embarcam em uma nova turné promocional, de duas semanas, para mídia européia. Nesta época lideravam todos os charts americanos.
Eat to the beat
Após o sucesso absoluto de Parallel Lines na América e Europa, a banda, a partir de maio de 1979, e sem Peter Leeds para estragar a festa, começou a se preparar para o quarto álbum, Eat to the beat, novamente sendo produzido por Mike Chapman. O disco teve a colaboração de Nile Rodgers e Bernard Edwards e foi gravado em apenas 2 meses, usando musicas já escritas para Parallel Lines, mas descartadas na edição final. Apesar disso Eat to the beat é bem diferente de seu antecessor. O disco mostra, em alguns momentos, o retorno do Blondie ao punk, além de ser menos pop que o trabalho anterior. Em julho de 1979, saem em turné com outra grupo, a Rockpile. Foi um sucesso, apesar da outra banda ser apenas um aperitivo para o show do Blondie. Sem Leads no pé, houve mais liberdade no palco, mais vibração, e menos tensão.
Após a turné partem para a criação do primeiro home-video completo de um álbum inteiro. Um fato inédito até então, já que nesta época não havia MTV. O vídeo, e o disco, Eat to the beat, foram lançados em setembro de 1979. O primeiro single, Dreaming, foi hit na Inglaterra, mas não teve muito sucesso na América. Atomic foi outra balada disco, ao estilo de Heart of Glass, que tambem levou o Blondie ao Top 10. Na verdade, Atomic é uma paródia à própria banda, que a criou como a música que fecharia a era disco nos anos 70.
Apesar de tudo o trabalho não foi bem nas paradas americanas, assim como o anterior, ficando apenas no 17° lugar. Já na Inglaterra eles chegaram em 1° lugar, confirmando que faziam mais sucesso na Europa do que em casa. Sorte deles. Como era de costume embarcam para mais uma turné Européia. Os shows ocorreram entre novembro e dezembro de 1979, e foram sucesso absoluto. No ano novo tocaram no Apollo de Glasgow, cujo show foi transmitido em rádio e TV pela BBC. Depois embarcam para Paris onde filmaram um documentário e entrevistas para a TV local. Após os shows de Paris voltam para a a Inglaterra onde encerram a tour com um show no Hammersmith Odeon, grandiosa apresentação que rende gravações pirata até hoje.
O retorno para os Estados Unidos acaba ganhando uma surpresa, pois o Blondie foi contatado pelo produtor e compositor musical Giorgio Moroder, que tinha transformado Donna Summer em estrela da disco music. Moroder queria criar, junto com a banda, o tema para o filme American Gigolo (Gigolo Americano), um dos primeiros sucessos da carreira do ator Richard Gere. Desta parceria nasce Call Me. Originalmente Moroder tinha feito a canção Man Machine para o Blondie, que adicionou novas letras, e mudou o nome para Call Me. A banda seguiu, então, para o Japão para uma nova turné e no retorno, ficou surpresa com o sucesso inesperado, que acabou se tornando o segundo número 1 da banda nos States. A faixa também foi grande sucesso na Inglaterra e foi bastante executada no Brasil.
AutoAmerican
Ainda sob o impacto do sucesso repentino de Call Me, a banda voltou aos estúdios para a gravação de seu 5° álbum, AutoAmerican. Durante este período Debbie harry já começava a tornar-se mais popular que o resto do grupo, chegando a ser convidada para participar de vários shows como Grammy e Muppets Shows. Assim cada um dos membros passou a ter uma carreira paralela ao Blondie, produzindo outras bandas ou criando algo fora do Blondie. Foi durante este período que a banda ainda teve tempo para fazer uma versão cover para Ring of Fire de Jonnhy Cash, para o filme Roadie.
Mike Chapman voltou a produzir o Blondie neste quinto álbum, gravado em L.A., e que mostrou que a musicalidade do Blondie era bastante vasta. Foram vários estilos e variações, que transforma este disco no mais bem, musicalmente falando, produzido do grupo. O Blondie passou, neste trabalho, do jazz, para o rap, reggae, pop, punk e rock e suas variações, sendo comparados ao que os Beatles fizeram no White Álbum. A ordem no Blondie era: expansão musical. Infelizmente a crítica americana, foi um pouco dura com o novo trabalho, mas isto não refletiu nos fãs, que deram discos de platina, nos dois lados do Atlântico. A faixa mais reggae do álbum, Tide is High, foi escolhida para ser o primeiro single, e se tornou número 1 na Inglaterra e Top 10 nos EUA. Rapture também foi número 1 nos States e Top 10 na Inglaterra. Alias, Rapture, é considerado o primeiro rap a chegar ao topo das paradas americanas. Autoamerica acabou assegurando um lugar na história do rock para o Blondie. Apesar do sucesso e consagração em sua própria terra, já ocorria rumores de um possível fim da banda.
Best Of Blondie e primeiros projetos solos
Rumores alimentados graças, principalmente, ao cancelamento de uma turné e os constantes trabalhos paralelos de seus integrantes, indicam que o fim está próximo. Em 1980, Debbie, com ajuda de membros da banda Clic, gravou seu primeiro projeto solo, paralelo ao Blondie. O álbum era Koo Koo, produzido por Nile Rodgers e Bernard Edwards, e mostrava um lado mais voltado para a faixa Rapture do Blondie e explorava este estilo, mais negro e voltado para o rap. O destaque deste álbum, era a capa, desenhada pelo criador da criatura que aparece em Alien – O Oitavo passageiro, H.R. Ginger. Koo Koo, não alcançou o desempenho esperado.
Entretanto, em outubro de 1981, o grupo resolveu lançar seu sexto álbum, como uma coletânea, The Best of Blondie, acompanhado por uma coleção de vídeos. Isso alimentava ainda mais os rumores de fim da banda. Best Of conseguiu segurar as vendagens no Reino Unido, apesar do fraco desempenho americano, aumentando as tensões entre os membros deixando claro que para alguns, o fim da banda era o melhor caminho. Não houve consenso e o Blondie sobreviveu por mais um tempo.
The Hunter e o FIM
Frank Infante caiu fora da banda em janeiro de 1982, alegando que não estava sendo escutado pelo resto do grupo. Apesar da tensão a banda ainda estava sob contrato com a Chrysalis, e tinha mais um disco para gravar. Com a produção de Mike Chapman voltam ao estúdio para a gravação de seu último álbum, The Hunter. O trabalho é lançado em junho de 1982 e o primeiro single, Island of Lost Souls, acabou sendo o último single americano da banda, ficando apenas na posição 37 do Chart US. mesmo assim, na Inglaterra, ele conquistou a posição 7°. O novo single, War Child, saiu apenas no Reino Unido, sendo o último lançamento do grupo na Europa. War Child ocupou apenas a 39° posição. Rapidamente a Chrysalis preparou uma nova turné para tentar levantas as vendas de The Hunter. Ela começou nos EUA, chegou no Canadá e estava se preparando para ser enviada a Inglaterra quando Chris Stein ficou doente, e a turné foi enterrompida. Em setembro do mesmo ano a banda foi dissolvida
Após o Fim...
Como o fim do Blondie seus ex-integrantes passaram a cuidar da própria carreira. Em sua maioria, fizeram trabalhos que não tiveram a mesma repercussão do feito com a banda. O tecladista, Jimmy Destri, conseguiu lançar um álbum solo que contou com a participação de Debbie Harry e Chris Stein, mas não vendeu muito. O baterista Clem Burke tocou em várias outras bandas como Ramones e Eurithmics, mas sumiu logo depois. Nigel Harrison e Infante também tocaram em diferentes banda de baixa expressão e desapareceram da cena musical.
A doença de Chris se agravou e ele teve que se isolar por um longo período, principalmente por causa dos rumores de que teria AIDS. Debbie passou a cuidar de Chris Stein, seu parceiro, por todo este tempo, enquanto tentava tocar sua carreira solo, iniciada antes de deixar o Blondie.
De todos os membros, Debbie Harry foi a que teve carreira mais promissora fora da banda. Até Hollywood passou a se interessar por ela. Um dos seus melhores trabalhos no cinema, como atriz, foi para o diretor David Cronemberg em Videodrome, de 1982. Um dos primeiros trabalhos solos de Debbie foi um single, Rush Rush, fruto de sua nova parceria com o produtor musical Giorgio Moroder, para o filme Scarface, que fez um relativo sucesso em 1983. Ainda no mesmo ano estreou na Broadway, mas não ficou lá muito tempo. Fez dublagem para um desenho animado e co-produziu um álbum para um grupo de rap. Por causa de seu envolvimento com a doença de Stein, Harry, só conseguiu preparar um novo álbum em 1985. Assinou contrato com a Geffen Records e gravou Rockbird, cuja canção French Kiss in USA, fez algum sucesso na época. Rockbird deu a Debbie a oportunidade de voltar ao showbizz, afastada desde o fim do Blondie em 1982. Em 1986 ela foi capa de revistas como a Q Magazine e Joice, tudo no embalo de Rockbird. Na produção deste álbum até o amigo da cantora, Andy Warhol, ajudou na foto de capa. Apesar de todo esforço o disco vendeu bem no Reino Unido e Austrália, onde ficava a base dos seus fãs do tempo do Blondie, mas não foi sucesso nos Estados Unidos.
Em 1988 Debbie foi convidada pelo diretor independente, John Waters, para estrelar Hairspray, que recebeu críticas positivas. Lança mais um single, Liar, Liar, que entra na trilha do o filme Married to the Mob. Nesta época, Debbie e Chris participaram da produção de uma copilação dance de antigos sucessos do Blondie. Debbie foi convidada para trabalhar em um telefilme para a Disney e do seriado O Homem da Mafia(Wiseguy), além de outros trabalhos para o cinema.
Em outubro de 1989 Debbie retornou ao Reino Unido, depois de uma ausência de 7 anos, para um show em um pequeno clube de Londres. Em novembro do mesmo ano assinou contrato com a Chrysalis-EMI para gravar seu terceiro álbum solo, Def Dumb & Blonde, agora sob o nome de Deborah Harry. Era a volta para o velho estilo rock dos tempos de Blondie, que rendeu boa aceitação da crítica e dos seus fãs. Chris Stein ajudou neste álbum, junto com o ex-produtor do Blondie, Mike Chapman, que retornava à produção.
As vendas não chegaram a ser como as da época do Blondie, mas foram melhores que seus outros trabalhos solo. O disco foi puxado pela musica I Want that Man. Debbie formou uma nova banda para uma nova turné, coisa que não acontecia desde o fim do Blondie. Ela era composta por Chris Stein (Guitarra), Leigh Fox (bacho), Jimmy Clark (bateria), Carla Olla (rhythm guitar) e Suzy Davis (teclado). Eles sairam em excursão pela América do Norte, Europa e Austrália. Ainda de volta aos States, em julho de 1990, se apresentaram com os Ramones em New York.
Em janeiro de 1991, Debbie foi convidada para participar do projeto Red Hot + Blue, um álbum de antologia da obra de Cole Porter, em benefício às vítimas da AIDS. Ela gravou Well Did You Evah!, ao lado do amigo Iggy Pop. No mesmo ano mais uma compilação do Blondie é lançada, The Complete Picture, junto com um laserdisk. Faz uma pequena turné no Reino Unido e aparece no telefilme Inimigo Estranho e no filme The Killbillies.
Entre 1992 e 93 prepara material para seu próximo álbum. O antigo produtor do Blondie, Peter Leeds, tenta na justiça ganhar uma porcentagem do valor faturado por Debbie em sua carreira solo mas perde o processo. Em julho de 1993, ela assina com a Sire Records para a gravação de seu quarto álbum solo, Debravation, que tem uma vendagem mediana. Neste mesmo ano, mais uma compilação do Blondie é lançada, Blondie and Beyond com material inédito e ao vivo de antigas apresentações da banda. Ainda no mesmo ano, outra compilação, o duplo Platinium Colection, com 47 faixas, é lançado com mais material inédito do que o anterior.
Em 1995 outros álbuns de remixes do Blondie são lançados, e, ironicamente, ultrapassam o número de álbuns oficiais enquanto a banda ainda estava ativa. Debbie monta uma nova banda para alguns shows em New York e é convidada para participar da banda de jazz, Jazz Passagers, onde participa de um disco e alguns shows. Ela volta com o Jazz Passagers para outros shows em 1996 e é convidada para de filmes para o cinema.
Em 1996 em vista das contantes compilações e remixes lançados, já se escuta na imprensa rumores de que o Blondie se reuniria novamente. Pelo menos para alguns shows. Debbie Harry e seu ex-parceiro Chris Stein, contataram seus antigos parceiros, Jimmy Destri e Clem Burke, para voltarem ao estúdio, com ajuda dos membros do Duran Duran, que escreveram duas canções, Pop Trash Movie e Studio 54. Mike Chapman foi chamado para a produção. Ficou decidido que seria apenas um disco de regravações de antigos sucessos do Blondie, mais duas novas faixas.
NO EXIT - A ressurreição
Finalmente no dia 31 de maio de 1997, durante um festival para a radio WHFS em Washington, no Estádio Robert Kennedy, junto com outras 20 bandas, o Blondie retorna após 15 anos do último show. Houve outra surpresa no show, o primeiro baixista, Gary Valentine, faz uma participação especial. A banda ainda iria se apresentar, durante 97, em outros eventos, enquanto Debbie não terminava seus compromissos com o Jazz Passagers. Durante o ano houve o lançamento de outras compilações pela EMI, e do CD Essential, apresentando gravações da banda nos anos 70. Infelizmente, o projeto com os integrantes do Duran Duran e com o produtor Mike Chapman são abandonados.
Resolvem, então, gravar novo material para um novo álbum. Eles ainda enfrentam outro problema, um processo dos ex-integrantes Nigel Harrison e Frank Infante, contra a volta da banda, o que atrasou todos os planos.
Em 1998 o Blondie, já livre do processo, assina com a Beyond Records e preparam a volta triunfal. Retornam ao estúdio, Debbie, Chris, Destri e Burke. Craig Leon, co-produtor dos primeiros singles da banda nos anos 70, assume a produção do novo álbum. Dois novos músicos se juntam a banda, o baixista Leigh Foxx e o guitarrista Paul Carbonara. Entre novembro e dezembro de 1998 a banda faz uma pequena turné pela Europa, Reino Unido e Austrália. Finalmente em fevereiro de 1999 o novo álbum, No Exit, é lançado, atingido o Top 10 na Inglaterra e o Top 20 nos States. O primeiro single, Maria, foi chegou ao número 1 das paradas inglesas e fez sucesso até no Brasil, tocando exaustivamente nas rádios tupiniquins.
O sucesso da volta do Blondie levou a banda a uma série de shows nos Estados Unidos e depois Europa, mas não houve tempo para uma passada pela América do Sul conforme estava programado. A banda terminou a turné No Exit, na virada do ano 2000, em uma praia de nudismo em Miami. Um pouco antes, em novembro de 1999, foi lançado o primeiro álbum ao vivo oficial do Blondie, LIVID junto com um DVD. Outros dois DVDs foram lançados na esteira do sucesso. A banda ainda se apresentou em um show em homenagem a Joey Ramone, o líder dos Ramones, morto de câncer em 2001(a única apresentação do ano). Blondie e Ramones sempre foram muito ligados.
O Blondie vem preparando, desde 2001, o sucessor do álbum No Exit. A banda tem trabalhado duro em estúdio e tem enfrentado vários problemas como o desligamento do produtor Creig Leon após briga com os membros da banda, a falência da produtora Beyond Records e alguns problemas de ordem pessoal para o tecladista Jimmy Destri, que teve que deixar a banda por algum tempo para cuidar de seus assuntos pessoais. Isto não impediu a banda de sair, ainda em 2002, para duas mini-turnés nos States e para alguns shows no Reino Unido em dezembro de 2002, onde abriu os shows do INXS. Neste shows apresentou velhas canções que não tocavam há bastante tempo, covers de Iggy Pop, Ramones, músicas inéditase até músicas da carreira solo de Debbie Harry.
Em 2004, finalmente, sai o novo trabalho da banda, The Curse of Blondie, junto com dois álbuns ao vivo, Live by Request, gravado para o programa de mesmo nome da TV americana, e Live.
Por Ricardo Alves de Melo do site Blondie-Brasil com revisão e atualização de Valdir Antonelli




