Sofisticado, complexo, estratégico, o data center é um ambiente construído e gerido a partir das melhores práticas de TIC. Surpreendentemente, porém, uma parte significativa dos recursos e do espaço do data center acaba sendo usado para manter funcionando servidores que não deveriam mais estar na ativa. Estas máquinas levam vários nomes – zumbi, comatoso, órfão, inativo ou subutilizado – Isso porque estão sempre sugando a energia e o espaço, prejudicando a produtividade e a excelência do data center. Um estudo liderado por Jonathan Koomey, pesquisador da Stanford University, mostra que, em média, 30% dos servidores instalados num data center são máquinas zumbis.

Embora o relatório do Dr. Koomey seja de 2008, essa mesma marca segue sendo validada por outros estudos. É o caso do levantamento realizado pela McKinsey & Co em 2012. O quadro fica mais crítico quando se verifica que um estudo do Natural Resources Defense Council (NRDC), mostra que, em 2013, nos EUA, os data centers consumiram 91 bilhões de quilowatts/hora. A mesma pesquisa indica que, até 2020, esse valor deve crescer 53%.

Outro dado interessante deste levantamento é que o gasto com energia dos data centers diminuiria em 40% se os servidores zumbis fossem desligados.

Em 2015, o instituto de pesquisa IDC estimou que o número de servidores físicos em operação no mundo é de 41,4 milhões. Até 2016, esse número deve subir até 42,8 milhões de servidores.  

Mas você não entrará no data center caçando servidores zumbi manualmente; existem ferramentas avançadas como rack-PDUs inteligentes trabalhando em conjunto com um sistema DCIM (plataforma de gerenciamento da infraestrutura do data center), que podem ajudar a encontrar e eliminar estes servidores zumbis.

Com as ferramentas corretas, desenvolver um “matador de zumbis” automático é uma tarefa relativamente simples, que vale o investimento em tempo e em recursos. Tudo começa com a compreensão de alguns pontos chaves do perfil de consumo de energia do seu servidor: suspenso (sleep), inativo (idle), modo de economia de energia (aplicação de OEM), carga parcial, modo normal, e pico. O segundo passo é validar esta informação, uma vez que ela tenha sido coletada no data center, através dos PDUs inteligentes. Estabeleça um grau de confiança aceitável (precisão do medidor acrescentado de uma pequena margem de segurança).

Antes de tomar conclusões precipitadas, permita aos servidores se normalizarem e se estabelecerem em modo “produção”. Uma vez que estejam funcionando normalmente, coletamos um pouco mais de dados e então começamos a desenvolver nossas regras e políticas. Uma regra importante será a definição do que é um servidor “inativo” para classes específicas de servidores e aplicações.

Este processo de mapeamento de servidores, monitoração e definição de políticas internas pode levar algumas semanas e este bem explicado no nosso blog.

Uma vez que os resultados da analise estiverem prontos, o segredo para desligar o servidor correto e preservar os que são operacionais é colocar os servidores suspeitos em modo inativo e, em seguida, analisar o resultado desta decisão. Se os servidores sob suspeita ficaram inativos por um certo período de tempo e isso não causar nenhum impacto nas aplicações, está nítido que chegou a hora de desligar a tomada.

O processo de otimização do seu parque de servidores requer investimento em hardware, software e tempo, mas se executado de maneira correta, o investimento deve se pagar em um curto período de tempo. Se considerarmos os benefícios para o meio ambiente, o ganho de espaço físico e as constantes surpresas com aumentos do custo de eletricidade, este tipo de operação realmente faz muito sentido.

Em um mercado difícil, como é o que vivemos hoje, uma redução de dois dígitos no custo de energia do data center é uma proposta que com certeza ganhará a atenção de qualquer, CFO, CEO ou board de executivos. Não espere a pressão por redução de custos, inicie já este processo, pois em tempos de crise, aqueles que reduzem custos sem impactar o negócio são sempre bem vistos.

Jack Pouchet é Vice-Presidente Global de Desenvolvimento de Novos Negócios da Emerson Network Power

Leia mais

Solução usa criptografia e tokenização para proteção de dados

Um em cada dez arquivos na nuvem expõe dados confidenciais

Consumidores não estão satisfeitos com a privacidade de seus dados