A explosão da conectividade móvel, associada a seus diversos fenômenos agregados, como a ubiquidade do software, a afirmação da nuvem como "o" ambiente das interações e a tendência de consumerização  (como algo que veio para ficar) exigem uma revisão completa da forma de operar da indústria de aplicações de software de negócios.

Tal indústria, cuja matriz operacional foi inspirada em princípios de desenvolvimento seguro e altamente controlado (que são típicos da engenharia industrial) está sendo chamada agora a oferecer respostas mais ousadas e imediatas, diante de um mercado de aplicações que não tem tempo de sobra e nem paciência de esperar.

Aliás, não se trata aqui exatamente de paciência, mas de um nível de dinamismo de mercado antes inimaginável no universo do software. Um cenário no qual as oportunidades de negócios móveis surgem no horizonte com uma tremenda rapidez e - não sendo rapidamente aproveitadas através da aplicação adequada - simplesmente perdem o seu timing ou, o que é ainda pior, se perdem para a concorrência.

Seja para o CIO, seja para o desenvolvedor independente (ISV), esta nova situação traz à tona o dilema de se submeter aos demorados rigores do modelo tradicional ou, ao contrário, assumir os riscos inerentes a esta quebra de rigor para acompanhar o ritmo bem mais frenético das demandas por apps.

No paradigma da engenharia industrial, a doutrina tradicional propõe um desenvolvimento em cascata, envolvendo longas etapas independentes e sucessivas de análise, design, implementação e testes para, só então, se partir para a implantação do aplicativo.

Constantemente referenciado também nos manuais de compliance e qualidade de desenvolvimento planejado, este modelo encarna a sábia preocupação com a maturidade máxima do software, mas impõe, em contrapartida, uma taxa de morosidade que torna inviável a competitividade das empresas no mercado de oportunidades móveis.
 
Não é por acaso, a propósito, que grandes empresas globais vêm perdendo enormes chances de receitas no mundo de negócios digitais para pequenas startups muito ágeis, que saem na frente com suas apps assim que a oportunidade surge. Com espírito muito mais livre que as grandes e com maior aptidão para o risco, estas pequenas empresas empregam métodos não determinísticos de desenvolvimento de software. Além disto, eles não precisam se atrelar às especialidades estanques no processo (como as de analista, projetistas, programadores e testadores de protótipos) e juntam o pessoal de negócios e o pessoal de desenvolvimento numa única jornada de concepção do software.

Com isto, as startups, com pouca experiência e pouco dinheiro, conseguem comer pelas beiradas os novos filões de negócio que aparecem e desaparecem de forma muito rápida diante de grandes organizações que não demonstram a mesma desenvoltura.

A rivalidade entre visões de desenvolvimento - rápido ou determinístico - já é um ponto de grandes discussões, desde o final da última década, mas assumiu feições bem mais visíveis a partir do cenário móvel. E isto a tal ponto que o Gartner, numa tentativa de equacionar o problema, vaticinou ao mercado global que a única perspectiva que resta ao setor de desenvolvedor é assumir um novo modelo "bimodal" para o desenvolvimento de software corporativo.

Na visão proposta pelo Gartner, a ponta mais tradicional da TI pode ser descrita como a "empresarial", voltada para a produção de software com alta excelência de acabamento e com vistas a aplicações com longo ciclo de vida e alta estabilidade.

Em complementação a esta produção "compliant", as empresas precisam assumir urgentemente uma área de "espírito livre", que o Gartner batizou como "TI oportunista". Sem este braço, digamos, "menos regulamentado", não há futuro para o software empresarial diante da grande agilidade das produções independentes.
 
Mas com esta excelente e bem vinda visão e do equilíbrio em nossa área, o Gartner não deixa de reconhecer as dificuldades que há pela frente. De um lado, a economia disruptiva exigindo o jogo de cintura. De outro, o rigor da engenharia industrial que está no DNA da organização de negócios.

De que modo alcançar o denominador?

É em busca de tais respostas que a indústria global de infraestrutura de software procura mapear e absorver as múltiplas experiências que se valem de conceitos não convencionais de desenvolvimento para a criação de plataformas que poderiam muito bem entrar no conceito "bimodal" proposto pelo Gartner. A Progress, aliás, uma empresa com três décadas de experiência, está há mais de 10 anos nesse processo de vanguarda, que busca abolir as amarras do desenvolvimento tradicional - atrelado a modelos muito fechados - e vem apoiando fortemente as iniciativas open source e de desenvolvimento rápido que hoje servem de referência para o desenvolvimento da nova TI.

Tanto assim que, desde a última década, sua plataforma OpenEdge já dialoga com os novos padrões de dados não estruturados ( e não SQL) e busca levar liberdade para o que desenvolvedor de software corporativo possa encontrar agilidade e custo equilibrado no processo de desenvolvimento mas, claro,  sem abrir mão das referências de compliance. E isto bem antes até da manifestação do Gartner nesse sentido.

Ao definir seu próprio futuro e o futuro de todo o mercado como um cenário dinâmico - em nuvem - e dominado pela constante disrupção, as equipes suas equipes de estrategistas da Progress definiram, nos últimos anos, um ousado programa de aquisição de empresas cuja tecnologia pudesse fortalecer o  caráter bimodal do seu ambiente de desenvolvimento.

Entre os conhecimentos absorvidos a partir de tais aquisições destacam-se as estruturas de para o desenvolvimento e execução rápida de aplicações de plataforma como serviço (aPaaS), ferramentas de desenvolvimento "push and drag" para desenvolvimento rápido e editores de regra de negócio que, juntos permitem o ganho de rapidez associado à maturidade de software. Exemplo disto foi a supreendente aquisição da Telerik, uma das maiores incentivadoras das tecnologias dos mundos RAD e DevOP, hoje com uma base global de mais de 1,5 milhão de desenvolvedores e 60 mil usuários institucionais e cujo perfil inovador veio intensificar o compromisso que a Progress vinha estabelecendo há vários anos com o novo cenário móvel e em nuvem da TI.

A proposta dos estrategistas da Progress é a de garantir às grandes empresas uma plataforma unificada para todos os propósito da TI fixa ou móvel, física ou virtual, on-promise ou em nuvem, e que seja capaz de responder ao desafio lançado pelo Gartner no sentido de se produzir soluções oportunistas e não atreladas à morosidade do processo industrial. Mas claro, sem perder de vista as exigências de compliance e eficiência para as aplicações perenes.
 
Ao invés de se criar duas ilhas para estas duas modalidades de software, a solução foi desenvolver a  plataforma agnóstica e não convencional da Progress (através da nova Telerik Platform) para conciliar os  rigores do ambiente de desenvolvimento em cascata com a exigência de resposta imediata às demandas voláteis dos negócios móveis.

Com o apoio dessa plataforma híbrida, o CIO e os engenheiros de software encontram um ambiente capaz de absorver o conhecimento dos homens de negócio em geral (o CFO, o CMO, CHO, o diretor de vendas) e engajá-los diretamente no processo de planejamento, produção e teste.

Podem também contar com inúmeros frameworks de aplicação de negócios (criados para o mundo lento ou para o mundo rápido) que já foram devidamente testados e referenciados segundo as normas de compliance, e usá-los como componentes de aplicações de negócio também empregadas nos dois mundos.

Quem sabe num futuro muito breve, o Gartner não venha a diagnosticar o uso da TI bimodal como mais um dado banal da realidade do setor, tal como hoje encaramos a realidade da nuvem e da conectividade sem limites.                

Matthew Gharegozlou é vice-presidente da Progress para a América Latina e Caribe

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