Empresas de telemarketing, construção civil, agropecuária, supermercados e comércio de varejo precisam lidar com uma característica marcante desses segmentos: o alto turnover – o movimento de rotatividade entre os colaboradores.

Se isso, por si só, já não fosse um problema de tirar o sono dos departamentos de recursos humanos e dos diretores financeiros, o alto turnover traz consigo um desafio a ser enfrentado: como desenvolver meios de pagamentos para uma folha de salário que geralmente é baixa, com alta rotatividade e, com muitas pessoas com restrições de crédito? A verdade é que esse tipo de cliente não é exatamente o sonho de consumo dos bancos, já que pouco movimentam suas contas salários, não têm acesso ao crédito e o ticket médio de gasto é muito baixo.

Além disso, a burocracia, processos e papelada necessária para abrir uma conta no banco, por vezes, serve mais parar afastar esse colaborador e, as empresas lutam por encontrar soluções de pagamentos para esse funcionário que talvez não permaneça durante tempo. Essas empresas anseiam por soluções onde abrir e fechar uma conta para seu colaborador seja um processo simples, rápido e sem muita papelada.

Toda essa dificuldade encontrada hoje no sistema bancário ajuda também a explicar as 50 milhões de pessoas que não possuem uma conta em banco no Brasil. Em toda América Latina são mais de 200 milhões de cidadãos fora do sistema bancário. E, nesse ‘buraco’ deixado pelos grandes bancos a essa parte relevante da sociedade, as fintechs nascem para ocupar o espaço, trazendo soluções de pagamentos a empresas desses segmentos.

As chamadas contas digitais, geralmente, se adaptam melhor à necessidade dessas empresas de alto turnover e aos seus colaboradores. Na Superdigital, por exemplo, é possível abrir uma conta em menos de cinco minutos pelo celular, independente se você tem restrição ao nome ou não. Como algumas tratam-se de uma ferramenta pré-paga, se adaptam perfeitamente ao processo de pagamento de folha salarial dessas empresas. Nesse ponto, as fintechs trazem simplicidade, praticidade e, sobretudo, inclusão financeira, com menos burocracia, mais agilidade e menores custos que os grandes bancos.

Vale lembrar também que, mesmo se o colaborador deixar a empresa, ele permanece com sua conta digital e, assim, usufrui de todas as funcionalidades que as fintechs oferecem, seja usar seu cartão, pagar conta, comprar pela internet, transferir dinheiro, etc.

Os próprios números provam isso, uma boa parcela dos funcionários que trabalham em callcenter hoje no Brasil têm uma conta em fintech para receberem seu salário. Boa parte dos colaboradores dessas empresas, mesmo após se desligarem, mantém suas contas em uso. Por isso, soluções como essa tendem a crescer ainda mais e reduzir drasticamente nesses próximos anos esse número de 50 milhões de ‘desbancarizados’ no Brasil.

É importante ressaltar também como tem sido fundamental o papel do Banco Central. A instituição tem feito um grande esforço para criar um ambiente de regulamentação em que soluções como essas possam ocupar seu espaço e criar competição e soluções para uma parte relevante da população brasileira. É um caminho sem volta.

Ezequiel Archipretre é CEO da Superdigital

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