O caminho da comodidade nas compras online, sem dúvidas, é uma estrada sem volta. Ações que facilitam nossa vida claramente são sempre bem-vindas. Mas com tantas lojas virtuais crescendo exponencialmente, a pergunta que ouço muitas vezes é: será que o varejo físico morreu? Minha resposta enfática, é NÃO. E digo mais, ele vai bem, obrigado!

No Brasil, sobretudo, as compras e visitas às lojas faz parte do entretenimento de muitas famílias. Além disso, os consumidores, especialmente os da nova geração, buscam muitas vezes, uma experiência com o produto, e antes de comprar querem criar conexões verdadeiras com as marcas. Fora que a compra no varejo físico, envolve fatores que o ecommerce não entrega com tanta fidelidade. Hoje, 20% do varejo nacional vem de Shopping Centers, e esses centros de compras também não tem ficado para trás, quando o quesito é o uso da tecnologia, como Inteligência Artificial, CRM e machine learning.

Na primeira semana de junho, por exemplo, uma pesquisa da GFK sobre o varejo, apontou que o comércio físico havia ganhado força e o preço online se igualado. O levantamento destacou que, pela primeira vez, desde o início da quarentena, as vendas do comércio físico apresentaram importância maior do que as vendas online. Contudo, com a volta da classificação de risco em muitos estados, e as compras de Natal se aproximando, mais do que nunca estes espaços precisam inovar para oferecer uma jornada de compra omnichannel. Por aqui, temos contabilizado um crescimento expressivo, do interesse de shoppings, em fazer uso inteligente dos dados que eles já levantam, e assim otimizar os investimentos e agregar valor nas promoções enviadas para cada cliente.

O mercado dá sinais desse desenvolvimento e progresso. Tal como mostra a apuração feita pela Social Miner e o OpinionBox, que sondaram consumidores para entender sobre o percurso que os clientes estão seguindo. A pesquisa afirma que 64% deles pretendem continuar comprando tanto online, quanto offline, e que 31% das pessoas esperam poder comprar virtualmente e retirar nas lojas físicas. Acendendo então, uma grande oportunidade para o mercado.

Durante esse ano atípico por vivermos um uma pandemia com restrição de circulação, os shoppings mergulharam na transformação digital com uma velocidade nunca antes vista. A maior parte dos empreendimentos desenvolveu mecânicas de promoção e sorteio, buscando a possibilidade de serem 100% digitais. Podemos falar, por exemplo, na Black Friday deste ano, em que as vendas em lojas de rua e shopping centers de todo o país no fim de semana da Black Friday (27 a 29 de novembro de 2020) tiveram aumento de 6,1%, com relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio.

Neste sentido, uma pesquisa da Spot Metrics, que analisou mais de 200 shoppings em suas mecânicas, posicionamentos e perfis de consumo, apontou que enquanto em 2019, 82% dos lojas optaram por ter balcão de atendimento durante as promoções, em 2020 esse número foi 24%, uma vez que a grande maioria tem se voltado predominantemente para o uso de aplicativos como forma de ingressar e acompanhar os sorteios.

Como vemos, as possibilidades são vastas e o potencial do varejo físico é enorme. Hoje já é possível utilizar um CRM específico para o varejo offline. Pelo motor de loyalty, carteira digital, integração com os maiores e-commerces do país, é possível conseguir impulsionar a migração das lojas e shoppings para uma plataforma inteligente, baseada em Big Data e que está apta a competir e cooperar efetivamente com o varejo digital. No entanto, o que costumo dizer é, as invenções tecnológicas estão a nosso favor, basta saber utilizá-las, inclusive no mundo offline.

Raphael Carvalho é CEO da Spot Metrics

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